terça-feira, 23 de setembro de 2014

Trânsito como tema transversal







O trânsito como tema transversal e adaptável a qualquer nível de ensino

                                                                                                         Silvani Teresinha Mauer


                      Cada vez mais é difícil encontrar um tema central que inclua a todos, permitindo que os alunos possam interagir uns com os outros de maneira uniforme. De encontro com esta perspectiva, percebe-se os vínculos do trânsito com os indivíduos, pois de maneira ampla todos estão envolvidos nos processos de circulação. Seja dentro da sala de aula, da escola, na rua, no ventre da mãe, no carrinho de bebê, dentro de um veículo, de patins, à cavalo ou à pé, ciclista ou pedestre. Todos os indivíduos fazem parte do trânsito, independente da idade que tenham.
                     Com tantos envolvidos, é extremamente necessário que se tome cuidados e se conheça as melhores maneiras de se fazer  parte deste meio. A maioria das pessoas, recebe instruções de trânsito pela primeira vez nos centros de formação de condutores. Porém, nos tornamos integrantes do trânsito muito antes disso. Não é necessário que se trabalhe questões simples de circulação dentro do espaço, de cuidados na rua como ciclista, pedestre ou a importância de manter os animais longe das vias para evitar que causem acidentes ou se machuquem? Quantas lágrimas de pais que tomaram sustos com os filhos e de crianças que descuidaram de seu animalzinho, já foram derramadas? Talvez aquela frase: “Olhe para os dois lados da rua!”, ou “Deixe o portão fechado!”, não faziam sentido, não eram compreendidas pela criança até aquele instante!
                     Assim sendo, a temática é apresentada pelos PCNs como tema transversal a ser inserido nos Projetos Curriculares, apontando a problemática social que atinge parte da população. Como tema transversal: “(...)uma reflexão ética por envolver posicionamentos e concepções a  respeito de suas causas e efeitos, de sua dimensão histórica e política(...)” (PCN,1997,p.29).
                       É notável a abertura do leque de assuntos que se encaixam no tema, que parte dos diferentes atores que entram em ação: pedestres, condutores, guardas, veículos, o meio onde circulam. É preciso determinar da onde partir e até onde ir, pois o tema gera assunto para um ano inteiro. Ao observar um cenário de trânsito, fica visível a interdisciplinaridade, permitindo a inserção das realidades e da pesquisa. De forma que, a consciência da existência das combinações dentro da sala de aula, pode partir da legislação de trânsito, onde a transgressão delas pode trazer acidentes. A amplitude do assunto será determinada pela realidade da turma, pois os alunos trazem muitas contribuições, em diferentes linguagens, a partir das suas vivências.
“Se formos analisar as duas linguagens e produções das crianças - o jogo simbólico e o livro de história coletiva - do ponto de vista dos critérios de seleção e articulação de conteúdos programáticos em educação infantil, atribuiremos a elas inúmeras significações, encaixando-as em diferentes critérios.” (JUNQUEIRA, 2002, p.66)
                    Pensando no nível de ensino, basta pensar no enfoque, definindo o caminho que o professor pretende seguir. O interesse pelo trânsito se manifesta em todas as idades: o bebê já demonstra entusiasmo ao perceber circulação, movimentação, vendo o cachorro correr ou produzindo com a boca um “Brrrrrum”. A identificação da sinalização mesmo sem a alfabetização, as estatísticas , a tecnologia, a ludicidade são ferramentas que despertam a curiosidade pela aprendizagem em qualquer idade, sendo necessário o diagnóstico de idade e realidade.
Setembro/2014


Bibliografia:
JUNQUEIRA, Gabriel de Andrade Filho. Trânsito e educação: Itinerários pedagógicos. Porto Alegre: UFURGS, 2002.
BRASIL. SECRETARIA DA EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL. Parâmetros
Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos apresentação dos temas
transversais, ética. Brasília: MEC/SEF, 1997.

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