A matemática do dia a dia
Vera Maria Schaab Diering
A matemática é uma ciência que relaciona o coerente e o pensativo com situações práticas habituais. Ela compreende pela veracidade dos fatos através de
técnicas precisas e exatas. Ao longo da história a matemática foi sendo construída, aperfeiçoada, organizada em teorias válidas e utilizadas atualmente. Ela segue em sua constante evolução, investigando novas situações, estabelecendo relações com os fatos e acontecimentos cotidianos. As necessidades diárias, contar, verificar preços, fazer compras, pagar e receber troco, fazer receita de bolo, ler uma bula de medicamentos, entre tantas outras, nos conduzem ao uso do raciocínio e ao desenvolvimento da inteligência. Identificar situações-problemas, buscar dados, informações e resolvê-las. É a matemática presente na vida, mostrando inclusive, sua utilidade social, quando oferece instrumentos efetivos para que o sujeito possa aplicá-la, e consequentemente atuar em todas as atividades, de modo eficaz.
A introdução à matemática deve começar desde muito cedo na vida de uma criança, apresentando diversas cores, formas, e tamanhos. Com o passar do tempo, quando a criança vai evoluindo em suas aprendizagens, é possível juntar e colar figurinhas, reunir diferentes objetos da mesma natureza. É uma forma de introduzir diversos conteúdos matemáticos através do lúdico e do brincar.
Depois que a criança já está maior, para favorecer o processo de construção do número, é importante que o professor explore diferentes situações do cotidiano e proponha atividades e jogos para que as crianças, além de construírem noções matemáticas, possam construir e estabelecer relações entre as diferentes situações. O que temos de diferente? Qual tem mais? Qual tem menos? Quanto ao todo? É oportunizar aos alunos uma reflexão para que percebam a situação-problema, mas o caminho para a solução cada aluno construirá o seu, através do entendimento que construiu da situação. ‘É importante destacar que a Matemática deverá ser vista pelo aluno como um conhecimento que pode favorecer o desenvolvimento do seu raciocínio, de sua sensibilidade expressiva, de sua sensibilidade estética e de sua imaginação''(PCN's,1997p.142). A busca de soluções para resolução de situações-problemas que surgem durante o dia a dia que levam o aluno a estabelecer novas relações, a refletir sobre seus procedimentos e a argumentar sobre as diversas formas de organização, possibilitam um avanço em suas aprendizagens.
Na fase inicial do processo de construção do número, a representação das quantidades deve possibilitar o emprego de recursos mais próprios e espontâneos da criança, como o uso de dedos das mãos e a contagem de outros materiais do habitual de seu dia a dia. È uma forma de estudar partindo do concreto e da realidade da criança. As crianças precisam dar sentido à representação da quantidade, registrando-a com recursos simbólicos que lhes tenham significação para, então, pesquisarem as convenções sociais e empregarem significados no registro da quantidade.
Esta cada vez mais evidente que os alunos precisam desenvolver uma inteligência, essencialmente prática, que permite reconhecer problemas, buscar e selecionar informações, tomar decisões, e desenvolver uma ampla capacidade para lidar com a matemática. Quando esta capacidade é potencializada pela escola, a aprendizagem apresenta melhores resultados.
No entanto, apesar dessa evidência, tem-se buscado sem sucesso, uma aprendizagem em matemática pelo caminho da reprodução mecânica de procedimentos e da acumulação de informações. Muitas vezes mesmo que o professor use os materiais didáticos disponíveis, se não conseguir transmitir o verdadeiro significado da matemática para a vida de cada sujeito, e não for capaz de proporcionar uma aprendizagem significativa, a aula torna-se artificial e sem sentido para a aprendizagem dos alunos. E isto vai acumulando de ano para ano, até que por fim, ninguém mais gosta da matéria (aluno e professor) e as aulas tornam-se monótonas.
''Para tal, o ensino de Matemática prestará sua contribuição à medida que forem exploradas metodologias que priorizem a criação de estratégias, a comprovação, a justificativa, a argumentação, o espírito crítico e favoreçam a criatividade, o trabalho coletivo, a iniciativa pessoal e a autonomia advinda do desenvolvimento da confiança na própria capacidade de conhecer e enfrentar desafios.” (MEC/SEF, 1997, p.31)
É fundamental não subestimar a capacidade dos alunos, reconhecendo que resolvem problemas, às vezes complexos, lançando mão de seus conhecimentos sobre o assunto e buscando estabelecer relações entre o já conhecido e o novo. Quanto mais o professor investir e acreditar na capacidade dos seus alunos, instigando a busca de novas aprendizagens, melhores serão os resultados em sala de aula. Teremos alunos mais interessados e motivados, com vontade de aprender cada vez mais porque já perceberam que a aprendizagem está fazendo sentido e diferença na vida deles.
O significado da matemática para o aluno também resulta das conexões que ele estabelece entre as demais disciplinas e suas ações no dia a dia em seu cotidiano. O estabelecimento das relações é tão importante quanto à exploração dos conteúdos matemáticos, pois se abordados de forma isolada, os conteúdos podem acabar representando muito pouco para a aprendizagem do aluno, principalmente para a sua vida pessoal, no dia a dia em sociedade. É preciso haver uma interdisciplinaridade entre ambos.
A matemática é uma das ciências mais aplicadas em nosso cotidiano. Um simples olhar ao nosso redor e notamos a sua presença nas formas, nos contornos, nas mediadas. As operações básicas são utilizadas constantemente, e os cálculos mais complexos são concluídos de forma prática com base nos princípios da ciência.
Referências:
PARÂMETROS Curriculares Nacionais(1ª a 4ª série): matemática/Secretaria de Educação. Educação Fundamental. Brasília: MEC/ SEF,1997.
PARÂMETROS Curriculares Nacionais: matemática/ Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/ SEF,1998.
Pensamento lógico e expressões formais da lógica;Rogéria Novo da Silva – disponibilizado no box ECO V 2013/2
Revista do professor;Porto Alegre – Abril/Junho 2003

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