Marion Castilhos dos Reis
A inclusão estimula, enseja e provoca, reforçando a tese de que o benefício da inclusão não é apenas para crianças com deficiência, é efetivamente para toda a comunidade, porque o ambiente escolar sofre um impacto no sentido da cidadania, da diversidade e do aprendizado.Partindo do pré-suposto de que a inclusão propõe que todos os alunos e alunas devem ser incluídos, então, de acordo com Sassaki (1997) a inclusão é:
(...) o processo pelo qual a sociedade se adapta para poder incluir, em seus sistemas sociais gerais, pessoas com necessidades especiais, e simultaneamente estas se preparam para assumir seus papéis na sociedade. A inclusão social constitui, então, um processo bilateral no qual as pessoas, ainda excluídas, e a sociedade buscam, em parceria, equacionar problemas, decidir sobre soluções e efetivar a equiparação de oportunidades para todos (p.41).
Portanto não é só a pessoa com deficiência que precisa se modificar, mas também a sociedade deve se transformar para acolher dignamente todos os seus cidadãos e para isso é preciso que se acredite que todos os cidadãos são dignos, capazes e tem igual valor.Desse modo, a meu ver incluir é despojar de preconceitos, discriminações, aceitar as diferenças, respeitar a diversidade. Incluir é garantir espaços, abrir horizontes, respeitar o outro, o diferente, enfim, possibilitar que todos possam mesmo sendo diferentes gozar de direitos sociais, políticos e culturais.
Em uma sociedade inclusiva, as diferenças sociais, culturais e individuais são utilizadas para enriquecer as interações e a aprendizagem entre os seres humanos. Trata-se de uma mudança profunda no comportamento e na atitude das pessoas. No caso específico das pessoas com deficiência, promover a compreensão da diversidade é a forma mais coerente de favorecer a inclusão social e a aprendizagem dessas pessoas, então uma escola inclusiva se caracteriza por aceitar, respeitar e valorizar alunos com diferentes características.
As escolas são ferramentas essenciais, a educação transforma, as pessoas que tem acesso à educação formal desenvolvem linguagem, raciocínio, capacidade de tomar decisões, de refletir sobre suas próprias formas de pensar e agir, ou seja, as pessoas que tem oportunidade de frequentar escola, de participar efetivamente de processos sistemáticos de aprendizagem se tornam muito mais autônomas. E na escola regular temos a oportunidade de conviver com a heterogeneidade de pessoas, de culturas, de linguagem, isso é de uma riqueza que nenhum outro espaço tem.
Assim, as pessoas com deficiência que frequentam escolas regulares certamente se formarão pessoas mais autônomas e mais capacitadas para gerir sua vida. Por outro lado, as pessoas sem deficiência que convivem com elas na escola aprenderão a conviver com a diversidade, a valorizar o outro independente de sua condição ou aparência física e certamente se tornarão melhores cidadãos. Pensar no outro, no diferente, na diversidade, é pensar na possibilidade de reduzir e eliminar as barreiras do preconceito, da discriminação e da desigualdade.
Referências Bibliográficas:
SASSAKI, R. K.Inclusão:construindo uma sociedade para todos. Rio de Janeiro: WVA,1997.
RODRIGUES, David.Inclusão e Educação: Doze olhares sobre a educação inclusiva.São Paulo: ed. Summus, 2006.
MANTOAN, Maria Teresa Eglér.Inclusão escolar: o que é? por quê? como fazer?. São Paulo: Moderna, 2003. (Col. Cotidiano Escolar).

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