terça-feira, 14 de outubro de 2014

Educação de Jovens e Adultos



EJA DOIS PROJETOS DE SOCIEDADE E EDUCAÇÃO


Catia Regina Gomes da Silva



No segundo projeto, a concepção de educação está relacionada á vida, perspectiva de humanização e emancipação humana. Valoriza-se a experiência de vida e trabalho, a realidade cultural e social dos(as) educandos(as) , numa tentativa de construir capacidade de ler e escrever criticamente a realidade que os(as) cerca, construindo-se, portanto, sujeitos capazes de transformar-se, transformando coletivamente seu meio local para contribuir com a transformação de uma sociedade excludente em sociedade solidária. Essa é a concepção que orienta, hoje, boa parte das propostas de Educação de Jovens e Adultos.
O projeto de sociedade e de educação defendido nessa proposta busca sua essência nos saberes construídos pelas classes populares, sendo a educação enquanto prática humanizadora seu princípio norteador. A base desse princípio, de acordo com Paulo Freira, é o diálogo, fundamentado pela amorosidade, que é compromisso com todos os seres humanos.
Na proposta pedagógica desenvolvida por Paulo Freire, são valorizadas fundamentalmente, a cultura e a realidade do educando. Para Freire essa realidade é o ponto de partida para que a pessoa construa compreensão do mundo e de si mesma como sujeito da história. Segundo a concepção freireana, o trabalho pedagógico não se dá pela imposição de conteúdo, mas por uma construção do conhecimento em que o(a) educador(a) e o(a) educando(a) ensinam e aprendem ao mesmo tempo.
Nesse contexto, as histórias de vida constituem-se o elemento desencadeador e articulador de todo o processo educativo. Conforme Charlot (2000, p. 69):

Aprender sob qualquer figura que seja, é sempre aprender um momento de minha história, mas, também em um momento de outras histórias: as da humanidade, da sociedade na qual eu vivo, do espaço no qual eu aprendo, das pessoas que estão encarregadas de ensinar-me (…). Qualquer que seja a figura do aprender o espaço do aprendizado é um espaço-tempo partilhado com os outros.

Assim, desde o início, os(as) educadores(as), nos encontros de formação, vão discutindo sobre a importância de construir com os(as) educandos(as)um ambiente significativo para que essas histórias sejam trabalhadas, sendo exploradas as mais diferentes linguagens práticas de fala e escuta, música, imagens, desenhos, fotos, filmes, dança, teatro, leitura de textos diversos (poemas, biografias, letras de músicas) entre outras. Então, a escrita das histórias vai acontecendo aos poucos, e os(as) educadores(as) vão buscando estimular os(as) educandos(as)para que escrevam do seu jeito, criando um clima de confiança para que , naturalmente, discutam com os(as) colegas a questão da escrita.
O trabalho com as histórias de vida vai impulsionando a análise da realidade, uma vez que nesse contexto estão envolvidos aspectos diversos da conjuntura (local e global): trabalho, sociedade, política, economia, entre outros. Além disso essa prática vai estimulando o estudo e a pesquisa sobre as temáticas de interesse dos grupos (por exemplo: etapas da vida – infância, adolescência, velhice; relações familiares, valores, sentimentos, espiritualidade, etc.)
Nesse sentido, trabalhando com temáticas significativas para os(as) educandos(as), os(as) educadores(as) vão procurando construir com eles(as) atividades que lhes oportunizem fazer diversas relações entre as áreas de conhecimento, numa perspectiva transdisciplinar. Ao mesmo tempo, buscam oportunizar-lhes avançar no processo de alfabetização, pela variedade das situações de leitura e de escrita, tomando-se o texto como unidade de sentido, sempre.
A concepção freireana deve continuar inspirando as práticas de EJA, ainda que outros(as) pensadores(as) da Educação de Adultos busquem resignificá-lo, ou, por que não questioná-lo. Para além disso, construir práticas de EJA numa perspectiva crítica continua, ainda, sendo um grande desafio.


Na Educação de Jovens e Adultos, no Brasil, podem ser percebidos dois projetos de sociedade e educação. De acordo com Gaudêncio Frigotto (2005), no primeiro projeto, excludente, a concepção de educação está relacionada a uma visão utilitária e empresarial do saber, dentro da ideologia da empregabilidade, reduzindo o processo educativo a cursos de treinamento profissional. Nesse contexto, o objetivo é o de formar um(a) cidadão(ã) mínimo(a), alienado(a), que não pense e não exerça pressão para mudar os privilégios dos poderosos. Nessa proposta não há educação, portanto, não há educando(a) e nem cidadão(ã) – o ser humano é considerado um objeto.





REFERÊNCIAS:

CHARLOT, Bernard.Da relação com o saber: elementos para uma teoria.
Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.
CIAVATTA, Maria. A formação integrada: a escola e o trabalho como lugares de memória e de identidade. In: FRIGOTTO, Gaudêncio; CIAVATTA, Maria; RAMOS, Marise (Orgs.).Ensino médio integrado: concepção e contradições. São Paulo: Cortez, 2005.
FRIGOTTO, Gaudêncio.; CIAVATTA, M.; RAMOS, M. (Orgs.).Ensino médio integrado: concepções e contradições. São Paulo: Cortez, 2005
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa-21ª Edição- São Paulo. Editora Paz e Terra, 2002.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Relação Família X Escola





Educação=Família/Escola /Profissional

Ana Luiza Fries

          A educação acumula tudo o que  é vivenciado pelo ser humano ao longo de sua vida. Tendo essa visão como premissa não tem como dissociar família / escola e o profissional que interage na ação e formação desta pessoa.

         Sabemos que existem tantos problemas de estrutura familiar e a perda de valores que a escola passa a ter um  compromisso cada vez mais intenso na formação da criança que vai além da aprendizagem cognitiva  tendo que aprimorar sempre mais o afetivo. Mas acredito que esta concepção somente terá veracidade se houver uma  relação de as duas entidades ocorrendo desta forma um processo de educação eficiente, uma vez que a escola tem o objetivo de complementar o aprendizado familiar. Segundo Paro (2000, p.15)apud Caetano, além de problemas como professores mal formados e outros, a escola tem falhado também e principalmente porque que não tem dado a devida importância ao que acontece fora e antes dela, com seu educando. Vejo que é necessário trabalhar em rede com também outros órgãos (como CRAS, Assistência Social, Conselho Tutelar), priorizando sempre o contato com a família, com intuito de beneficiar as crianças.

       É na escola que se iniciam outras relações fora do ambiente familiar, é onde se originam os questionamentos sobre valores tendo também a oportunidade de conviver com outras crianças e adultos, que não são os pais, conseguindo outros exemplos onde possam se espelhar, enfatizando e concretizando sua autoestima e personalidade.

O professor é referencia para a criança, esta profissão vai muito além de transmitir conhecimento, ensinar. É necessário amor, respeito e responsabilidade, tendo como base os quatro pilares da educação:aprender a aprender, aprender a ser, aprender a fazer e aprender a conviver, servindo de base para a pedagogia. Professor  tem que saber ouvir, ser criativo, interagir, ser sensível, afetuoso, não ter preconceitos, ser flexível saber lidar com diferentes situações. Ser professor é amar o que faz e com quem convive.

A área  da Educação é a mais importante ao meu ver, pois ninguém terá como seguir um caminho sem passar por ela. A educação engloba o aprender e ensinar, integra o que aprende com o que vive e vice-versa, reflete na ação do ser humano, não esquecendo os  aspectos, social, emocional e físico.

          Devemos utilizar os obstáculos da nossa vida tanto profissional como particular, para construir aprendizados e procurar soluções para as adversidades. Temos sim, que ter o discernimento em não expor os nossos problemas nas atitudes e comportamentos no meio profissional. As adversidades em nossa vida nos tornam mais sensíveis, delicados e compreensivos. Tenho um lema em minha vida e acredito nele “QUEM NÃO APRENDE NO AMOR APRENDE NA DOR”, sou prova viva disso.

Acredito em tudo que vivemos tiramos lições de tudo. Penso que já nascemos com o dom de nossa profissão, isso para quem é educador por amor, que faz das dificuldades os aprendizados para vida. Mas não basta gostar, necessitamos cada vez mais, procurar ser melhores como pessoas para sermos melhores profissionais.

EDUCAMOS PELO EXEMPLO E NÃO SOMENTE POR PALAVRAS.

Referências:

PARO, V. H. Administração escolar: introdução crítica. 16. ed. São Paulo: Cortez, 2010a [1986]
Disponível em:
http://www.webartigos.com/artigos/a-importancia-da-familia-na-educacao-da-crianca/32304/ - acessado setembro de 2014

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Tema de Casa ......





Você já fez os temas?


Viviane Zucco dos Passos

Durante toda a vida escolar esta deveria ser uma pergunta rotineira, pois nela está implícito algo de muita importância para qualquer ser humano, a responsabilidade... ser responsável por sua aprendizagem, seu desenvolvimento.
O tema, o dever de casa é uma continuação, um reforço do que foi desenvolvido em aula.
Mas se há uma interação dos assuntos, uma participação dos alunos é necessário que ainda aconteça esse complemento?
Acredito que sim, pois a tarefa será realizada fora do ambiente escolar, em outro horário, sem o acompanhamento do professor ou o auxílio dos colegas pode gerar dúvidas ou até mesmo pode auxiliar na compreensão de determinado assunto.
Perguntar à criança se já fez os temas está estimulando a responsabilidade por seus deveres e atitudes assim acompanharão o ser humano em toda a sua caminhada.
A partir do momento em que os pais acompanham os temas de seus filhos estão tendo a oportunidade, também, de acompanhar todo o trabalho que está sendo desenvolvido na escola, se a criança ou adolescente está frequentando às aulas e como estão em relação à sua aprendizagem, bem como terão argumentos sobre qualquer observação ou dúvida que tenha necessidade de ser resolvida ou conversada na escola.
A lição de casa é importante para todos os envolvidos: alunos, professores e pais. Os alunos reforçam a aprendizagem, os professores conseguem perceber as conquistas e as dificuldades apresentadas e os pais acompanham o que está sendo estudado. São três partes que, quando andam juntas, favorecem a interação entre professor x aluno x família e colaboram para que possa haver uma melhor organização de estudos e, como consequência, um melhor resultado.
Em algum momento é possível que pais não consigam acompanhar o conteúdo que seu filho está estudando, é momento de ser claro e dizer que não sabe, mas que podem buscar juntos a compreensão ou, até mesmo, buscar auxílio extra- classe. O importante é estar presente, compartilhar conhecimentos e também as dúvidas.
Perguntar ao seu filho se já fez os temas, olhar seus cadernos significa responsabilidade, interesse... é estar dizendo: estou aqui...

Professora e acadêmica Licenciatura Plena – Pedagogia – UFPEL

Outubro/2014


Referências:

A importância do dever de casa. Disponível em:http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2013/02/a-importancia-do-dever-de-casa/. Acesso em 29/09/2014, às 19h e 45min.
AZAREDO, Marina. Lição de casa: um dever para todo dia. Disponível em:http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/licao-de-casa-547565.shtml. Acesso em 29/09/2014, às 19h e 45 min.
Ajudando a fazer os deveres. Disponível em:http://www.boasaude.com.br/artigos-de-saude/3264/-1/ajudando-a-fazer-os-deveres.html. Acesso em 01/10/2014, às 20h e 30 min.


quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Educação Infantil - Avaliação


A forma de avaliar na Educação Infantil

Angélica Patrícia Homem

Na Educação Infantil os alunos devem aprender brincando, de uma maneira mais informal, sem exigir perfeição, através de brincadeiras e atividades lúdicas, pois assim o resultado será mais satisfatório para a professora e para o aluno. As crianças nesta idade, demostrou muito interesse nas brincadeiras e na maneira diferente de aprender números letras e até mesmo valores e assim aprendem brincando de maneira muito satisfatória.


A avaliação educacional requer um olhar sensível e permanente do professor para compreender as crianças e responder adequadamente ao “aqui-e-agora” de cada situação. Perpassa todas as atividades, mas não se confunde com aprovação/reprovação.

É um processo gradativo onde o aluno vai aprendendo e crescendo ao longo do ano, a professora vai auxiliando-o e intervindo quando necessário, pois o aluno terá muito tempo para se aprimorar, na faixa etária, dos 5 e 6 anos, de acordo com o plano de estudos da Educação Infantil, os alunos devem saber recortar, colar, utilizando corretamente a cola e tesoura, conviver bem em sociedade, fazer novas amizades, saber ouvir e se expressar, conhecer seu nome e o nome dos colegas, conhecer os números de um a dez, desenvolver habilidades motoras, entre outros, cada aluno tem seu tempo de aprendizagem, é preciso respeitá-lo. Então ao final do trimestre pode-se fazer uma avaliação descritiva que é entregue aos pais em uma conversa informal, assim os pais participam da vida escolar de seus filhos e sabem onde podem ajudar para que este progrida em seus trabalhos.
Logo, o papel do professor é mediar o aprendizado de forma lúdica, trabalhando as primeiras descobertas dos alunos, pois é neste período que ele forma sua personalidade e desenvolve suas habilidades e as aprimora para as próximas etapas escolares.
O professor precisa ter domínio do conteúdo ou das atividades que irá passar, pois se ele está seguro passa tranquilidade aos alunos e assim eles aprendem com mais facilidade, tendo em mente sempre que deve estar aberto a mudanças, pois muitas vezes é preciso improvisar ou mudar as atividades que não estão dando o resultado esperado. Organizar a sala de uma forma que os alunos tenham um ambiente aconchegante e que lhes proporcione momentos de aprendizado significativos.
O professor deve estar sempre se atualizando e buscando novas possibilidades, pois segundo Santos (2010,p.2)

É de primordial importância que o educador crie situações de aquisição do conhecimento para suas crianças, ou seja, oportunidade de contatos com todos os meios possíveis de aprendizado. Cabe ao adulto, organizar o espaço físico, os matérias concreto a serem manipulados e explorados, os momentos de trocas orais constantes com criançada mesma e de diferentes faixa etárias e com adultos, para que assim ocorra as trocas afetivas, os enfrentamentos e a resolução de problemas, percebendo assim , como a criança lida com situações de conflito, desafios e frustrações.

Para isso é preciso que o professor conheça a realidade do aluno, sua comunidade, seu entorno, sua família, tentar trazê-la para participar da vida escolar de seu filho, isso facilitará e muito o trabalho do professor.


Referências Bibliográficas

OLIVEIRA,Zilma de Morais Ramos de. Educação Infantil:Fundamentos e métodos. 7. Ed. São Paulo: Cortez, 2011.
SANTOS, Eliane.A Educação Infantil e o papel do educador. Disponível em:http://educaneuro.blogspot.com.br/2010/02/demanda-de-inclusao-de-criancas-de-0-6.html, acesso em 24/11/2013, às 20h30min.